Na arteterapia, usam-se diversos materiais e técnicas, mas hoje especialmente vamos falar de pintura. Podemos perceber pelo menos duas modalidades de pintura, a pintura como arte, como estamos acostumados a ver, e a pintura que é usada para fins terapêuticos. A arteterapia então é uma terapia que usa a arte como método de compreensão do sujeito. A finalidade não é um trabalho bonito para exposição, mas um trabalho que proporcione um resultado na consciência. O importante não é o que se pinta propriamente dito, mas o que se pinta e o que se fala, que conteúdos internos se manifestam através da palavra, recordações, problemas, críticas, dificuldades. As cores e os símbolos são arquetípicos, vêm mansamente à tona e se desdobram em significados importantes na terapia. O significado nem sempre é interpretável, ele já é manifestado e tem vida própria. O sentido é o que está ali pintado, é o que se falou, foi o que veio à luz da consciência passando pelo controle do ego. Por isso é tão importante. A pintura dá conta do que não conseguimos dizer, do que não podemos contar só com as palavras. O tratamento psicoterapêutico feito através dos símbolos, esteve sempre presente nos consultórios e é a base de praticamente todas as terapias. Freud, por exemplo, trabalhava com os sonhos, que nada mais são que figuras e histórias que nos vêm à mente enquanto dormimos. Estes símbolos são muito importantes, pois encerram um significado que ajuda o paciente a se conhecer. Jung, além de trabalhar os sonhos, trabalhava também com os arquétipos, e muitas vezes pedia ao paciente que desenhasse aquilo que estava falando. Isto por que o desenho revela detalhes que a fala não alcança. Nos Estados Unidos, duas irmãs, uma educadora e a outra artista plástica iniciaram uma nova modalidade de tratamento, ao juntar o verbal com não verbal. Margareth e Florence Naumberg foram pioneiras neste campo. O inconsciente é forte, tende a puxar tudo para ele, é o que chamamos de recalque. Ao mesmo tempo força para que algumas coisas sejam resolvidas, tristeza, solidão, ansiedade, depressão, doenças. Quando as coisas começam a aparecer no corpo significa que é hora de ver e resolver isso, fazendo uma terapia. As doenças são um sinal que o inconsciente nos manda, um alerta. Tomar remédio ajuda, é claro, mas se não cuidarmos das causas depois aparecem num outro lugar. É como “tapar o sol com a peneira”. Todos nós temos criatividade, e a saúde está ligada à criatividade, à liberdade. Nos prendemos aquilo que os outros vão pensar e não nos largamos para a vida. Viver com criatividade significa ser o artista da sua vida, viver com alegria, com satisfação. Não podemos ficar ao “Deus dará”, precisamos ter o domínio da nossa vida e da nossa mente. Precisamos desenvolver a auto consciência, a auto-percepção das coisas. Deixar de lado o orgulho e a arrogância e começar a desenvolver um conhecimento interior. Não ser raso, superficial, desconhecido de si mesmo. Vivemos muito na superfície das coisas, ignoramos como somos realmente, sufocamos o nosso eu. Em qualquer idade podemos ver o novo, pois idade não significa parar, desistir. Podemos fazer novas escolhas, tomar decisões, procurar saídas, andar por caminhos desconhecidos, estabelecer outras relações e descortinar horizontes. É sempre tempo de mudança!

Psicóloga Maria Manuela Ferreira